MÉTODOS DE APLICAÇÃO
Trincha (Pincel de formato chato)

É o método de aplicação mais antigo e até hoje é de grande utilidade, sendo considerada uma ferramenta insubstituível na pintura industrial. É o mais elementar dos métodos de pintura, por ser uma ferramenta simples e, consequentemente de baixo custo, além de não requerer grande capacitação do aplicador.


É o método mais indicado para aplicação da primeira de mão de tinta em cordões de solda, reentrâncias, cantos vivos e demais acidentes, onde outros métodos de aplicação poderiam deixar falhas, devido à dificuldade de penetração ou à cavidade e às demais regiões de difícil acesso.


É um método de baixa produtividade. Por maior que seja a habilidade do aplicador, tende a dar origem a películas não-uniformes, particularmente em termos de espessura.


A perda de tinta durante a aplicação é mínima, normalmente não alcançando a 5%.


Aplicação deve ser feita mergulhando de 2/3 até a metade do comprimento das cerdas na tinta (evitam-se desperdícios de tinta e perda da própria trincha), depositando-se a tinta em uma região ainda não coberta e depois a espalhando em passes cruzados.


O nivelamento e alisamento da camada se fazem com longas pinceladas sobre as iniciais, sem apertar muito para evitar marcas das cerdas no filme.


Terminada a aplicação, as trinchas devem ser de imediato limpas com solvente adequado, de forma a remover qualquer depósito de tinta, e a seguir secas e adequadamente armazenadas (apoiados pelo cabo e nunca pelas cerdas).


As trinchas normalmente utilizadas têm em torno de 125 mm de largura e suas cerdas são de pelos de animais, fibras sintéticas ou vegetais.

Rolo

Este método tem a vantagem de proporcionar maior rendimento produtivo em relação a trincha. As perdas de tinta durante a aplicação são em principio superiores à da trincha, devido principalmente a respingos, porém, o fato de se conseguir espessuras mais uniformes do que aquele método tende a igualar suas perdas. Exigem diluições ligeiramente superiores às exigidas pela trincha.


O método de aplicação a rolo é particularmente aplicável à pintura de grandes áreas planas ou com grande raio de curvatura, na presença de ventos, onde a aplicação à pistola a elevadas perdas de tinta. O mesmo se aplica as tubulações de variados diâmetros. Os rolos fabricados a partir de pelo de carneiro são de melhor qualidade para aplicação da maioria das tintas utilizadas em pintura industrial. O rolo mais utilizado tem largura de 150 mm, sendo eventualmente utilizado o de 50 mm para superfícies de menor dimensão, como cantoneiras e tubulações de pequeno diâmetro.


Aplicação a rolo não deve ser mergulhado todo na tinta. Deve ser mergulhada na tinta depositada em uma bandeja ou recipiente, que possui uma região que permite a retirada de excessos, que pode gerar escorrimentos ou desperdícios, espalhando-se a tinta na superfície dada uma sobreposição de 50 mm.


A pressão do rolo sobre a superfície deve ser controlada para obter um filme de espessura uniforme. Para superfícies muito rugosas o rolo deve ser passado em várias direções indo e voltando para fazer a tinta penetrar nas irregularidades. A cada novo início de espalhamento da tinta, o rolo acumula muita tinta e no final do percurso já esta com pouca, devido a isto é importante fazer o repasse em sentido contrário ao primeiro movimento uniformizando a camada.


Ao final da aplicação, o rolo deve ser imediatamente limpo com solvente, para que possa ser reaproveitado.

Pistola convencional

Na pistola convencional, ou pistola a ar, a tinta depositada no recipiente é expulsa em direção ao bico da pistola pela ação da pressão do ar. É um método de aplicação de tinta muito utilizado em pintura industrial, não só na pintura de campo como na de oficina, apresenta grande produtividade, tem como característica a obtenção de espessura de película quase que constante ao longo de toda a superfície pintada.


A aplicação da tinta pelo método da pistola convencional requer que a mesma seja diluída mais que qualquer outro método, para adequar sua viscosidade, de forma que ela possa fluir do recipiente até a pistola pela ação da pressão do ar. Como consequência dessa excessiva diluição, o método tem duas desvantagens significativas. A primeira é que, com a evaporação do solvente, há uma sensível redução da espessura da película úmida para seca. O método de aplicação por pistola convencional apresenta ainda como limitação o fato de levar à excessivas perdas de tinta durante a aplicação, da ordem de 30 %, e os riscos de segurança, observados quando a aplicação é feita em ambientes fechados, são significativos, devido ao excessivo acúmulo de solventes.


Existem dois tipos de equipamentos tidos como pistola convencional:


1- Nos mais simples, o recipiente é acoplado diretamente à pistola (pistola de caneco).
2- No outro, a tinta é depositada em um grande recipiente e, através de mangueiras, pela ação da pressão do ar injetado dentro do recipiente, chega até a pistola.


O pequeno recipiente do primeiro equipamento acarreta frequentes interrupções da aplicação para enchimento do mesmo com tinta. A vantagem do segundo equipamento é que a pistola fica mais leve, uma vez que o recipiente onde a tinta é depositada não fica acoplado à mesma, como acontece com o primeiro equipamento.


A instalação para aplicação das tintas pelo método de pistola convencional, consiste: manômetro, regulador de pressão e válvulas de entrada de ar e saída da mistura ar e tinta, mangueiras de ar e da mistura ar e tinta, pistola (com bico que é selecionado em função da tinta que se quer aplicar, a partir de instruções fornecidas pelo fabricante da mesma) e fonte supridora de ar, que deve ser seco.


Pistola de caneco: usado em oficinas de repinturas ou na indústria para operação de peças pequenas. A caneca quando cheia pesa em torno de 1 Kg dependo da tinta, cansando o pintor.


Tanque de pressão: muito usado na indústria onde há necessidade de produtividade. O tanque permite a colocação de um volume maior de tinta preparada, evitando paradas para reabastecimento. Alguns tanques trazem acoplado um agitador pneumático para homogeneizar a tinta constantemente.


Na aplicação da tinta pelo método da pistola convencional, uma série de cuidados devem ser observadas. O primeiro é a correta diluição da tinta, procurando-se ajustar sua viscosidade a uma aplicação adequada. Outro é a seleção do bico da pistola, que é feita em função das propriedades tixotrópicas da tinta. A pressão e a vazão do ar que é injetado no tanque de pressão também devem ser selecionadas em função das propriedades da tinta que se quer aplicar. Este elenco de parâmetros definirá o leque do fluido constituído da mistura tinta e ar que sai do bico da pistola.


Aplicação pistola deve ser posicionada com o leque do fluído constituído de tinta e ar, incidindo perpendicularmente em relação à superfície a pintar e deslocada em movimentos de ida e volta paralela aquela superfície. Neste movimento de ida e volta, deve haver uma sobreposição da passada subseqüente para que haja continuidade da película aplicada. A sobreposição deve ser da ordem de 50%. A distância do bico da pistola à superfície deve oscilar entre 15 e 20 cm. A aplicação com a pistola muito próxima da superfície causa o defeito de escorrimento da película e, com a pistola muito distante, o efeito de sobreposição ou overspray (depósitos sobre a superfície em forma de pó ou grânulos). A velocidade de passagem do leque de fluido em um sentido e outro também pode causar tais defeitos.



O defeito do overspray é ainda muito comumente observado em aplicação de tintas pelo método de pistola convencional quando o pintor não tem a necessária qualificação e é influenciado pela diluição, seleção do bico, pressão do ar, distância inadequada da pistola à superfície e movimentos irregulares.

Pistola Sem Ar (Airless)

A pintura com pistola “airless spray” ou pistola sem ar, também conhecida como pistola hidráulica, é um método de aplicação por pulverização indicado para pintura de grandes áreas, como casco de navios, tanques de armazenamento, etc. Ao contrário da pistola convencional, que utiliza o ar para atomização da tinta, a pintura sem ar utiliza uma bomba, acionada pneumaticamente, para pressurizar à tinta, e a energia com que a mesma chega ao bico da pistola provoca sua pulverização.


A alimentação da pistola é feita com bombas hidráulicas e a atomização das tintas é produzida pela passagem da tinta sob alta pressão através de um orifício de diâmetro muito pequeno. Pressões da ordem até 7.500 Libras/pol2, dependendo do tipo de equipamento usado, enquanto nas pistolas convencionais a pressão no tanque fica por volta de 20 a 60 Libras/pol2.


Isto permite que sejam aplicadas com este método tintas com elevadas quantidades de sólidos por volume (tintas sem solventes), sem a necessidade de diluição e em espessuras elevadas.


Além de ser um método que permite a aplicação de películas de tintas com propriedades uniformes em termos de espessura e baixa incidência de falhas, é de elevada produtividade e tem perdas de tinta na aplicação bastante reduzidas, da ordem de 15%. Na aplicação da tinta pelo método da pistola sem ar devem ser observados os mesmos cuidados já descritos para a aplicação da pistola convencional em termos de diluição, seleção do bico e movimentos de aplicação.


A aplicação de tintas pelo método da pistola sem ar requer cuidados de segurança por parte do pintor, dadas às elevadas pressões envolvidas.


A distância entre o bico da pistola airless e a superfície a ser pintada é de 25 a 50 cm. Adotam-se as mesmas técnicas de aplicação para a pistola convencional.


Pistola Airless Assistida

Método de aplicação misto entre o sistema airless e o convencional, utilizando a técnica de pressurização com pressões de 3.000 a 4.000 Libras/pol2, e possui capa com chifres e com orifícios para a saída do ar comprimido para auxiliar na pulverização. Utilizado para melhorar as propriedades de aplicação e pulverização em tintas sem diluentes, quanto à distribuição das partículas de tinta permitindo um acabamento mais uniforme.

Pintura Eletrostática

A pintura eletrostática é um método de aplicação de tintas muito utilizado na aplicação de pintura de fábrica e somente há poucos anos passou a ser usada na aplicação de esquemas de pintura no campo. Vem sendo largamente utilizada na pintura de tubos que são usados na construção de dutos enterrados ou submarinos. Nestes casos, a aplicação da pintura dos tubos é feita na oficina, e as juntas são aplicadas eletrostaticamente no campo.


A tinta é eletrizada na pistola durante a pulverização e projetada contra a peça que deve ser aterrada com carga de sinal contrário. O aproveitamento da tinta neste método é maior devido as partículas que seriam perdidas durante a pulverização, serem atraídas para a peça.


As tintas utilizadas na pintura eletrostática baseiam-se na seleção dos aditivos e solventes, responsáveis por fornecer maior ou menor polaridade, podendo ser tintas líquidas ou em pó.


Estes produtos devem ser fornecidos dentro das faixas de condutividade (faixa de 10 a 30 micro amperes – μA) ou resistividade (faixa de 0,4 a 0,8 megaohms – M•) de acordo com o equipamento de aplicação.

Imersão

A pintura por imersão pode ser dividida em imersão eletroforética e imersão simples. Na imersão eletroforética, a peça a ser pintada é mergulhada em um banho de tinta contida em um tanque, sendo que entre o tanque e a peça é estabelecida uma diferença de potencial em torno de 300 volts, com película uniforme, da ordem de 15 a 30µm. O banho dever ser mantido com agitação constante. Já na imersão simples, não é estabelecida a diferença de potencial entre a peça e o tanque, havendo simplesmente o banho de tinta com agitação constante.


A tinta não deve ter “pot life” curto. O método de aplicação conhecido como “Flooding” pode substituir a pintura por imersão. Faz-se um esguicho com mangueira, dando um banho de tinta na peça. Este método é utilizado para pintura de transformadores elétricos. Como principal vantagem da pintura por imersão pode-se citar a minimização de perdas. Entretanto, esta técnica possui a desvantagem de gerar muitos problemas de escorrimentos.